domingo, 29 de outubro de 2017

Águias

Ei meu bem
Faz tanto tempo
Que eu já não crio algo assim
Tão meu
Tão parte de mim

Escrever é um pouco como sonhar
Tirar os pés do chão
E deixar a alma falar

Não é métrica
Não é rima
Um desconcerto concertado
Emaranhado
Simetricamente amarrado

No ápice do ser, uma partitura
Palavras desenhadas
Encouraçadas
Macias
Aveludadas

Uma chave de sentidos
O mais particular de mim
Tão egoísta
Tão meu
Destrinchado em mim

Tive medo
Racionalizei
Repeti em um encadeamento argumentativo
Reto
Início meio e fim
O que você é pra mim
Mas a lógica é um projétil com curso calculado
Não flutua
Não se deixa levar

Fui além
Soprei macio um eu te amo
Essa ave em forma de frase
Que tão violentamente gritava no cárcere do meu peito
Temia que uma vez solta ela nunca mais voltasse
Sem trajetória ou percurso certo
Rebelde
Intransigente
Imprevisível
Pousou sobre os meus ombros
Soberana
Altiva
Cantando um canto paradisíaco

Agora somos um só
Eu e você ligados por essa águia investida em fogo
Mestres de falcoaria
Enxergando tão longe por olhos com os quais não nascemos
Somos uma lenda
Voando alto no horizonte
Balizados pelo infinito
Cumprindo se aqui agora
Essa profecia tão poderosa
De duas pessoas
Que se amando

Alcançaram o céu 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

O Rei e o corvo

Alguém me diz algo sobre o que pode passar
Dizem que tudo, como a lua,  sempre mudará

Ehh...
Escuto um som, dedilho a imaginação
Canto uma canção
Eu paro o tempo
Danço no infinito
O meu movimento dispersa a agenda
Cancela um compromisso

Algo de razão me vem no ouvido
Não pode ser o que não se pode explicar
Um teorema da conta de leis
Do que nasce, enraíza
Vive e se metamorfiza

Ehh...
Meus olhos consomem toda a chama
Devoram o sertão
E se aplacam no oceano
Sereno os pés no chão
E me fundo no horizonte

Um pássaro canta triste uma melodia
Foge das ondas e não pode bater as asas
Diz que não é possível
Que não pode ser
Que nunca será
Equaciona meus sonhos
Não me olha nos olhos
Na sua frente...
A morte!  Sua única verdade
E por saber-se mortal definha a vida

Ehh...
Dou mais um mergulho
Sinto leve minha coroa
A noite cai
Estrela a estrela
No firmamento do infinito
Eu sou um rei
Atemporal
Pleno
E na minha frente...

O impossível

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Like a dragon-fly

Like a dragon-fly
I was walking alone today
I saw nobody
I was thinking about us
About things that I don´t know if I need to say
Or keep with me

I'm a hot blooded guy...
But  I'm old,  and time makes me wiser
In a twisted water I can't see the lake
Like a dragon-fly
I need  precision and agility
I don't land to be drowned

Even with butterflies in my stomach
I'm freezing my mind
Even with a loud scream in my throat
I close my teeth  and I make a half-smile

Somebody said something about age
And you know me...
I wish to say 'I don't care'
But baby... I do care
I really do!

I'm over analyzing everything
This is the way I live
This is the way by which I came here
With my code, my fate, my supersticion
My power

Somebody said something about time and plans
And the agent of the phrase is not important
They will always say something
If you want to be, to make the difference
To conquer your freedom
Listening  becomes a dangerous and necessary exercise

I sail recalling  the advices
The memories
I use my tricks to survive
But the ocean is never the same
Experience can help you to get back to the beach
To the coast, to your land

But baby...
If you want to cross the sea
If you want to see the mystery pointed by a star
More than experienced and capable of listening
It's necessary to be brave and inventive
And that's what I am

Like a dragon-fly
Or a shark
Or even... Like a...
Beautiful, powerful, kind and big...

Whale

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Only you

Vou me fundir no meu sonho
Ou na minha tristeza
Queria poder pagar alguém 
Pra eu esquecer quem eu sou 

Essa dor me corta
É meu medo e desespero

Já sentindo 
Eu temo pela projeção 
Só queria sair disso 

Eu tenho fobia 
Um burguês amedrontado 
Não vou me jogar de nenhuma janela 
Mas eu temo os remédios
O pânico...

Quão grande será essa dívida?
Quanto ainda preciso pagar?
Tenho tentado, tenho seguido, tenho me esforçado
Quanto tempo viverei com seu fantasma?
Só peço por um pouco de paz...

Preciso de você e só de você
Quero acreditar que posso recomeçar 
Com uma bela distração
Mas eu sei, não é assim 

Quero te provar de novo 
Como um segredo ou uma maldição

O tempo tem ficado frio novamente
E as miragens me aparecem 
Mas já não sou o mesmo

Quero voltar pra casa
O quer que seja que isso queira dizer
Quero voltar 

Preciso de você
E só de você 

Mas as coisas não são assim 
É tempo de ser forte 
No limite novamente
Noites cada dia mais frias

Eu só quero meu lar
Onde quer que esteja 


quinta-feira, 30 de março de 2017

Em toda esquina

Talvez eu tenha tudo
O mundo me sorri
Abre os braços
Me beija
Me acolhe
Me acalenta

O mundo me encoraja
Me motiva
Me da propulsão

Mas eu não sou o mundo
Eu sou minha casa
Minha única casa
A primeira
A verdadeira

Mas eu nunca tive permissão pra entrar
Nunca pude estar nu no meu local de origem
Forçaram me a usar um traje roto
Mal colocado
Mal medido
Mal costurado

Fui expulso aos poucos
Sem que essas palavras fossem ditas
Mas eu podia ouvir
Tocar e sentir
E saber que eu não devia estar ali

Em toda esquina
Alguém me protege
Me beija
Me convida pra entrar

Mas sem um lugar pra voltar
Sou sempre forasteiro
Com minhas malas prontas
Meus planos desconfiados

Na minha terra sou filho pródigo
Elemento de instabilidade
Caos
Desespero

Não há retorno
Mas ainda assim procuro o caminho
Ainda assim sou minha casa
Meu templo

Por que meu caro?

Ricardo...
Uma tentativa de profecia 
Desde sempre
Desde o começo

Mas você não é a promessa
Não é o sangue
Em algum lugar te esqueceram
Fizeram do herdeiro o bastardo
E isso é tudo...
Não há muito o que ver
Muito com o que se preocupar...

Te colocaram fora da gaiola
Te trataram como estrangeiro

Na sua síndrome de Estocolmo
No peso e no vazio de sentir-se o descumpridor do pacto
Incompetente 
Divergente 
Fracassado 
Você ainda crê na terra prometida
Nos dias de bonança 
Na reconciliação 
No juramento tácito
Daquele agosto vinte e nove

Meu filho
Meu amigo
Meu caro
Meu companheiro 

O mundo te deu a mão
Te criou como legítimo 
Te aqueceu o coração
Secou suas lágrimas 
Não temas nada

Essa Jihad não é santa
Esse espaço vital tampouco
Não há terra prometida
Seu jardim é o globo

Respire fundo
Não há solidão
Encontre-se em si 

Abra espaço para o infinito
Não olhe para trás 

Seu nome
Seu título 
Isso já não existe
É terra arrasada 

Você foi rebatizado
Requalificado 
Resignificado 
Renascido 

Você abdicou ao seu trono
Ao seu reinado
A sua história 

Deixe o novo florescer 
O sublime ter significado

Por fim...
A esfinge não te devorou
Eu te encontrei
Me fundi em você 
E agora somos outro


Já não há sinais
Nem profecias 
Muito menos medo

Arrebente-se em amor





Para que eu me lembre

Fico tão triste
Sozinho e confuso
Não sou a carcaça de metal pretendida

As noites são ao mesmo tempo
Um refugio e um desespero
Sempre à procura de alguém
Pra preencher esse espaço de solidão

Não quero me encontrar comigo mesmo
Ver minha face
Encarar o tempo

Qualquer companhia é melhor do que nada
Mas você sabe e eu sei
É a lua refletida na água

Meu peito queima uma dor fina e extensa
Aprendi a me drogar
Me enganar
Libero minha endorfina
Dopamina

Nada quimicamente artificial
Mas psicologicamente tóxico

Não sei bem o dia em que o abandono se deu
Não sei de quem é a culpa
Mas eu só não queria estar só

Eu enterro fundo essa história
Desrespeito minhas dores
Com vista grossa e punho cerrado




sábado, 18 de março de 2017

Little beat of peace

Sigo por estradas
Mais ou menos desconhecidas
São perguntas
Sem resposta
E eu prefiro esperar do lado de fora

Vinte sete anos
Ainda acredito
Um destino
Um oasis à frente no caminho

Em busca de um pouco de paz
Em busca de um pouco de mim
Isso doeu demais
E embora pareça pouco
É o que posso dar

Errei tanto
Sempre
Dia a dia
Eu falo com Deus
Agradeço peço perdão
E suplico por perseverança
São tantas segundas chances
Que já perdi a conta

Eu tento ver o futuro
Aplacar a dor
Mas não há muito
As vezes é só continuar
E confiar que amanhã será diferente

As vezes tenho trinta
As vezes vinte
E só quero um pouco de paz