sábado, 12 de novembro de 2016

Medo



Os fantasmas que passaram por aqui antes
Já não sabem me dizer como isso tudo se deu
Eu falo com as paredes
Mas eles não respondem

Perguntei sobre isso tudo
Esperei uma resposta certa
Minha voz fez eco
E eu já não sabia o amanha

Tive um sono pesado
Eu sou o passado
Eu te vi mais uma vez
É eu sei
As coisas não são assim

Segurei um grito de ansiedade
Meus óculos disfarçaram à lagrima

Tento segurar essa decisão
todos os dias

Ter força não é mais um atributo
Mas o que me mantem são
A cada manhã e noite sozinho
As vezes com mais gente
As vezes enfrentando a insônia

Os fantasmas que me atormentavam
Já não me atormentam mais
Todos caíram por terra
E agora estou só

Eu pergunto pelo próximo passo
Mas já não escuto nada

Acreditei nos meus medos e agora
Sou a sombra do vazio

Por todos os lugares que ando
Sinto o cheiro das baratas que tentam subir pelos meus pés
Por todos os lugares que ando
As memórias são o que me fazem ter esperança
Você era minha luz verde
Todo esse tempo
E eu não vi



Deep Water Horizon

Quando todo mundo já entregou os pontos
Quando você parece estar só
Em uma ideia fixa
Uma batalha que já não faz sentido

Em um deserto de almas
Bem vestido
Com os fones de ouvido
Ir ao cinema sozinho
Pedalar

Quando todo mundo parece inebriado
Em uma loucura coletiva
De fingir que tudo está bem
Quem sou eu?
Tem mais alguém aqui?

Águas profundas com pressão na alma
Mas não há barro
É quase translucido
Leve
É quase uma pena
Em um fluxo que parece não ter fim


domingo, 23 de outubro de 2016

A próxima etapa

Estou de volta
Àquele estado
Como uma farpa no pé
Uma dor constante me espezinha a alma
Caminhando sobre a mira da verdade
No nada que se afigura entre um sonho e outro

Me dei conta do limbo
Das meias verdades
Dos vazios recíprocos autossustentados
Estou aqui de passagem
Eles eu não sei

A próxima etapa me pede resultados
A próxima etapa me pede renuncias
A próxima etapa me pede cortar a própria carne
A próxima etapa me pede coragem
E aqui vou eu

Excelente

Limpando tudo 
Tirando o pó da alma 
Preciso respirar novamente 
Queria te dizer um oi 
A dois mil quilômetros de distância 
Queria fingir que isso tudo pode ser real
Mas eu sei e você sabe 
Mas do que eu 
As coisas não são assim 

O tempo passou 
E essa ferida nunca vai curar 
Mas aqui estamos 
A vida é só uma
E se não pode ser excelente
Pode ser boa 

A rider

Caminhando na fronteira
O lugar exato da divisa não sei dizer
Mas eu vou
E eu sei
Que se não virar loucura
Vira resultado
E saio mais forte

Eu jogo com o perigo
E eu sei
Eu sinto os calafrios
Atravesso a lógica
Coloco em cheque o certo
Inspiro um ar que me rasga as entranhas
Sou um corredor
Um sobrevivente


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Bem

Escrevo mal
Com descaso
Não reviso o que produzo
Mas de alguma forma esse é o lugar do erro
Aqui eu sou

Seja como for
O recomeço de uma jornada
Tomou outros caminhos
Talvez um atalho
Talvez um erro de percurso
Mas o certo é que recomeçou
E espero que agora seja de uma vez
Sem olhar para trás
Sem olhar para os lados
Só pra frente
E ai, uma vez lá
Vou poder escrever
Sonhar
Velejar
Presentear
Ler
Produzir
Dormir
Pedalar
Eu quero que estudar se torne um vício
Estudar e esporte
Para que possa chegar lá
BEM!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Alucinado

Alucinado
Eu sou o tempo
Desconcertado
Procuro a chave

Eu bato na porta mas não me escutam
Eu arrebento a porta
Eu chuto
Até sangrar
Eu sou o sobrevivente

Grito com fúria
Passo por cima de tudo
Eu voltei
Com força
Como um tornado
Vou arrasar com tudo
Vou queimar até a última brasa
Sou o corredor
O sobrevivente
De peito aberto

Eu nunca morrerei