sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Poeira
Minha massa cinzenta pensante
Tão racional
Sustentada nos alicerces do sucesso
Não compreende estar no meio de um bilhão
Não se aceita como poeira
Um espasmo
Um suspiro
Na história de tudo
Minha massa cinzenta pensante
Tem medo de sentir
De ser
De amar
Racional como uma alavanca
Não move o mundo
Quem dera descobrisse
Que nessa lógica mesquinha
Sentir é tudo que posso
Amar
Me entregar
domingo, 30 de setembro de 2018
Um resultado
A dor pariu um resultado
Que ele seja profícuo
Que se prolongue
Que me traga paz
Que seja mais sobre o mundo do que sobre mim
sábado, 29 de setembro de 2018
Wonderwall
O estranho caso de Benjamin
Nasceu desconcertado por um relógio
Um muro quebrado
Dois países antagonistas
Dois distintos
Uma unidade
Oasis é minha banda preferida...
B Jack
B Jack
E não, não quero ajuda
Não quero perdão
Não quero irmão novo nem amigo
Eu suporto meus últimos grupos
Eu preciso
De um fio condutor
Qualquer coisa que me diga
Que permaneça o mesmo
Não despertar de tempos em tempos
Em uma nova vida
Nova família
Manter
Suportar
Não fugir
Aceitar
Tem sido tudo que eu tenho sido
Com a alma rasgada
Quero sair
Fugir de mim
Disso que não sei o que é
De alguma forma feliz
Escondido
De alguma forma...Feliz
Desde que não esteja cansado
Tarde da noite
River
Que essa teia envolve
Brinco com o tempo
Faço um espetáculo
Sou um ator
Entro em um personagem
Escondo o mais profundo de mim
Mas toda peça acaba
Eu não sou tão bom assim
Tentar não causar impacto
Meu único possível pacto
Meu único possível pacto
Mas acreditei
Uma vez e outra, e mais uma
Uma espiral sem fim
Dessa vez ia ser diferente
E mais uma, e outra, e de novo
Isso se quebrou não sei quando
Desde lá teorias
De como
Do por quê
Motivo, razão
Sou o mestre da compreensão
Entendedor das pessoas
Do seu bem, dou seu mal
Mas me graduei tarde no entendimento do mundo
E essa peça não tem reposição
Compro o armazém
Com todo o açúcar possível
Escolho uma série
Mas em uma hora os fantasmas tomam o quarto
O personagem dorme
Eu estou aqui
E agora?
Tenho uma droga
Uma boa
Que me dopa do entendimento de tudo
Me faz dormir
domingo, 23 de setembro de 2018
Elisa
Eu desci a montanha
Me transformando em um pouco disso
Em pedra, pinheiro e neblina
Escorreguei, quase cai, mas desci
Cheguei no balcão
Alle alpi
Antes de uma história
Uma força me traz aqui
E disso não quero falar
Não sei você, seu passado
Seus medos
Seus segredos
Um sorriso
Um bêbado quebrando as taças
De onde veio?
Espanhola? Colombiana?
Ah.. Italiana!
Elisa, não me entenda mal
O cara do lado te assedia
Busca um adversário
Uma competição
Mas estou sozinho aqui
Procurando os pedaços
Por hoje é só o seu sorriso
Dois chás gelados
A sua vontade de falar espanhol
E a gentileza de ter perguntado meu nome
Prazer!
Eu sou o fantasma da montanha...
Prazer!
Eu sou o fantasma da montanha...
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Cruzeiro em três estrelas
Daqui vejo as ursas
Maior ou menor
Não sei ainda
Com os olhos sul-americanos
Percebo as três estrelas
Que não são três marias
Mais distantes
Um outro formato
Mas são três
O cruzeiro é uma lembrança
Não se vê no céu daqui
Nem tampouco nas bandeiras
Aqui as cores contam histórias
De derramamentos de sangue milenares
De territórios tão cobiçados
Tudo um pouco distinto
Um pouco igual
Na humanidade
Em seus medos e segredos
Mas o céu não é o mesmo
Esse céu que guardo tão silencioso
Oprime e liberta
Um átomo de tempo
A responsabilidade de saber
Pertencimento
E essa cadeia complexa estelar
Poeira e liberdade
Leve, perpassando tudo
Uma fração de segundo
Sujeito de mim mesmo
Harmonia no tom errado
Harmonia no tom errado
Dissonante
Feio
Desconcertado
E em algum lugar a música tocando a arte
Me dá o passo, concerta o tom
Move o universo
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