segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Essa metáfora

Veja as luzes
Os faróis dos carros
Só existem no anoitecer

Veja as estrelas
Até estiveram aqui durante o dia
Mas você só as vê com o céu escuro

As coisas podem ser mais ou menos assim
Baby você me conhece
Eu não gosto de apostas
Não sou um homem que joga

Meus pés sentem a vibração do motor
Eu controlo milhares de cavalos
Sou cirúrgico
Sinto a medida de potência
Torno leve um corpo pesado no tempo e no espaço

Mas meu bem
Não sou mágico
E tenho meus limites
Essa adrenalina me toma
Célula por célula
E de noite cada músculo dói

Você me injeta isso
No miocardio
O estímulo resposta é rápido

Isso me deixa louco
Minha mente não descansa
Eu funciono à altas rotações
O quanto  eu posso aguentar não sei

Essa metáfora da noite
Quando já não vejo nada
Mas meu céu brilha
Você bagunça o sr certinho aqui

O que eu posso ver?
Quem eu sou e como tudo será?
Você voltará pra mim?

No horizonte nada mais que um palmo
De longe os faróis
Em uma viagem distante
Alucinante
No céu a certeza do infinito
E do....desconhecido!
É agora ou nunca?




domingo, 5 de fevereiro de 2017

suçuarana

É, encham os pulmões
Subam nos telhados
Gritem bem alto
Levantem a cidade
Chamem os profetas
Reescrevam a história
Calibrem os barômetros
O tempo mudou

Voltem pra casa
Tirem a tarde livre
Repensem seus movimentos
Desliguem os relógios

Aqui vamos nós
Eu dou o compasso
Eu sou o compasso
Façam suas escolhas
A sorte mudou
Aproveitaremos o vento norte

Baixem os decretos
A favela será a côrte
Tomaremos o que não é nosso
O que não era pra ser
O que não foi feito pra ser
Sairemos das nossas posições

Fundo em nossas mentes
Nós achamos às chaves
Sem medo
Levantamos nossos pés
Ninguém entende
Somos os loas
Nossos santos e entidades
Somos a furia e a beleza

Eu não canto sozinho
Dou o compasso
Com mil pés marchando ao meu lado
Nunca estive só
Apenas adormecido

Respire o mais fundo que puder
Feche os olhos
E sinta a terra tremer
A melodia mais suave que nosso tempo já viveu

Eu estive aqui o tempo todo
Mas agora você pode me ver




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Fraqueza indômita

Você está tão certa de si
Minas Gerais
Oculta seus erros e move a máquina

Eu digo que errei
Pixo nos muros
Com letras garrafais
Eu errei
Mas isso é tudo

Entreguei as balas de prata
Passos atrás
Reconsiderações
Tentei sopros de vida
Em seus ouvidos putrefatos

Você procura um motivo
Enaltece suas dores
Assim, escondendo o que puder ser enterrado

Acredite no que quiser
Encha um oceano com suas crenças
Mas no fundo sabe do que isso se trata

O monstro do seu orgulho jantou suas entranhas
Tem vida própria
Te diz quem você é
O que deve fazer

Esse anjo podre te humilha
Coloca suas fraquezas em um show de calouros
Drena sua força
Seu tempo
Te ridiculariza

Falsos dilemas te consomem
E cada dia menos luz entra por suas retinas
Já não sei mais quem é Dr. Jekyll ou Mr. Hyde

Seu quarto tem pó por todos os lados
Você detesta abrir as janelas
Como se o sol pudesse te dizer algo

O medo de que o dia te arrebentasse o peito
Te fez caminhar em sombras
Mais espeças a cada noite
Essa tuberculose de egoismo
Necessitando provar sei lá o que à não sei quem

Grita um grito esbaforido
Sem beleza
Descompassado
Qualquer melodia
Acorde
Canção
Dói no peito desse parasita que te vive

Fraqueza indômita
Paradoxos são a alma dos demônios
Mas lembre-se
Demônios não tem alma
Tem conflitos






Pra uma vida inteira

Atravesso a cidade
Desligo os farois
Vou através das luzes
Eu sou o mar banhando as estrelas

São 3 A.M
Nós já não temos certeza de nada
Seus olhos se encontram com os meus
Vou nadando em sua alma
Mergulho fundo
Vou a superficie e me falta o ar

Sinto o chão
Volto de repente
Você ri
Não sei quanto tempo estive lá

Com ar de cumplicidade
Seu sorriso se espalha
Dobra os joelhos
Me encara séria

Te encontro de volta
E navegando em mar tranquilo
Você enxerga minhas coordenadas
Meu plano de navegação

Ligo os faróis
Vejo um posto
"Quanto?"
O suficiente amigo...pra uma vida inteira!

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Oração

Mais uma chance
Todo poderoso
Amigo companheiro pai
Você nunca me deixou só
Tantas vezes eu tive vergonha
Escondi meu amor
Com receio de ficar só
Estive tão errado
Testei minhas crenças
Fui fraco
Perdi as contas de todos os meus erros
Mas se serve de desculpa
Eu não sou tão bom assim
Um pecador...
Que tentando se limpar perde de vista o caminho
E escorrega na lama novamente
Tantas vezes não entendi
Não quis entender
Meu Deus, Meu Deus
Que eu não esqueça seus mandamentos
Que a fé e o bem sejam meu caminho e minha verdade
Que o senhor seja a estrela que me guia e acende meu coração

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Vinho azedo

Então mais uma vez você perdeu
Os pontos serão entregues
Não importa muito quem está certo ou errado
Você assumirá a derrota
Sem querer louros
Palavras de afago

Isso não é sobre ser bom
É sobre ter paz
Você aguentará a pancada
Isso doí demais
Te rasga por dentro

Você adiou a queda
Não quis dar um passo atrás
Você sabia
No fundo sempre soube
O preço era alto
E ainda assim jogou suas cartas

Pagando por sua loucura
Por palavras afiadas
“Você não é tão bom em saber!? me diz o que é então!”
Eu sei meu caro
Mais do que você imagina

Sei inclusive quando não deixei pontos de saída
Sei inclusive quando arrisquei demais
Sei inclusive quando perder alguém
Faz parte do processo

Sei quando me doei e não devia

Minha mente quase entra em colapso
Meu coração sente pontadas
Meu estômago se complica
Tenho insônia
Só queria que as coisas fossem mais simples

Mas eu pequei
Eu disse o que não devia ser dito
Dei pinceladas bruscas
Passei por cima dos medos
Sairei mais uma vez
Assumindo  escolhas

Dar beleza aos últimos atos
Encerrar as peças
Não ser mesquinho
Mentiroso
Descortês
Hipócrita

Ser grande
O suficiente para não ter medo de estar só
Ser grande
O suficiente para não querer estar certo
Ser grande
O suficiente. somente o suficiente

Enorme precioso e certeiro
Você é um monstro
Devorando tudo
Não bebe água suja
Não compartilha vinho azedo


Só hoje....

A faca está sendo afiada agora
Amanhã pela manhã
Ela entrará cortante e impiedosa
No peito de um ano de história
Desmoronando paredes que se supunham sólidas
Tudo ira pelos ares
Fogos ardentes arrebentarão antes da passagem 

Pela noite a festa correu 
Mas ao nascer do dia
Não pouparei a realidade
Certo que doera e doí... mais em mim 


domingo, 11 de dezembro de 2016

Sete personas, sete máscaras, uma pessoa...

Alguém abriu a caixa
E de alguma forma
Gatsby foi relido...




Sete personas
Uma pessoa
Me rondam
Entoam cantos
Gritam alto
Voam baixo
Dão rasantes
Abrem suas  asas
Mostram sua envergadura

Eu não sou um príncipe
Um caçador
Me coroei
Arranquei meu título com as próprias mãos
Não sou uma lenda
Eu vivo

Sete personas
Um baile
Dançamos
Escorremos pelo patio nosso sangue
Tiramos nossos sapatos
Pisamos nos cacos
Olho em cada máscara
Pra tentar encontrar a lágrima que cai

Meu Deus
Eu não sou tão bom assim
Faço minhas escolhas
Não sei quão cego estou
A beleza inebria meus sentidos
Espero um porto seguro
Mas eu sei que ela
Que chora
Que sente
Me exige mais que o óbvio
Não vejo através da mascarra
Eu sou uma farsa
Não enxergo a pessoa

Sente ao meu lado
Bem perto de mim
Olhe nos meus olhos
Reorganize meus sentidos
Desoriente minha razão

Vem cá
Esse lugar está vazio
Seus olhos são a meia noite ou o nascer do dia?
Você é a juventude certeira ou a esperança depois do tsunami?
Eu não te conheço
Mas você me seduz
Sete personas
Sete máscaras
Uma pessoa
Quem será você?
Odette? Odile?